logo
Pacientes & Público Profissionais de Saúde História da Radiologia Links em DI Fale Conosco


Como Indicar (bem) CT e Ressonância

Dra. Luciana de Pádua Batista


Na prática clínica diária os exames subsidiários vieram complementar e colaborar com dados da história e do exame físico para elucidação diagnóstica. Atualmente dispomos de diversos exames complementares, tanto laboratoriais como de imagem, visando um diagnóstico rápido e o mais precoce possível, para melhor orientação da conduta. Nesta abordagem tratamos especificamente dos métodos de imagem por Tomografia Computadorizada (TC) e Ressonância Magnética (RM), devido à sua grande importância na avaliação anatômica, morfológica e até funcional dos órgãos e estruturas de interesse, de maneira cada vez mais detalhada e específica com os avanços tecnológicos emergentes.

De maneira geral, a TC tem sido utilizada porque apresenta como vantagens:

  • menor tempo de execução de exames
  • maior disponibilidade nos diversos Centros Diagnósticos
  • menor custo quando comparado à RM
  • avaliação das estruturas anatômicas em planos axiais, sem superposição de estruturas, com possibilidades de reconstruções multiplanares e tridimensionais
  • facilidade no estudo de lesões de forma dinâmica, com o uso do meio de contraste iodado endovenoso.
  • A RM, por sua vez, tem sido cada vez mais solicitada em virtude de:

  • ser um método que não utiliza radiação ionizante
  • oferecer inúmeros planos de corte (imagens multiplanares), desde o axial, coronal e oblíquo, sendo adequado de acordo com a investigação proposta
  • ter a habilidade de caracterizar tipos específicos de tecido baseados na intensidade de sinal (gordura, sangue e água), diferenciando diversas patologias
  • oferecer melhor contraste entre os tecidos e detalhes anatômicos quando comparada à TC
  • ampliar as possibilidades de detecção de alterações patológicas súbitas (infiltração de medula óssea, edema cerebral)
  • possibilitar o estudo de lesões de forma dinâmica, com o uso de contraste paramagnético que praticamente não provoca reações adversas, podendo ser utilizado em pacientes com contra-indicação ao estudo iodado e em gestantes
  • garantir boa resolução espacial nos estudos vasculares sem e com contraste endovenoso
  • apresentar boa sensibilidade na diferenciação dos componentes de partes moles
  • permitir avaliação funcional de determinadas patologias.
  • Como desvantagens, a TC utiliza radiação ionizante, não estando formalmente indicada em pacientes com historia alérgica ao meio de contraste iodado, em pacientes extremamente obesos e gestantes. A RM apresenta um tempo longo de execução dos exames e está contra-indicada em pacientes com marca-passo cardíaco, implantes cocleares, valvas cardíacas, determinados clipes ou molas aneurismáticas, fragmentos metálicos intra-orbitários e algumas próteses penianas.

    Ambos os métodos de imagem devem ter critérios em sua solicitação, dependendo da suspeita clínica, urgência ou especificidade diagnóstica. O que se tem observado corretamente é que em muitos casos a TC precede o exame de RM, pelas vantagens supracitadas, sendo a RM melhor interpretada como método complementar à TC, em casos mais específicos, quando o diagnóstico diferencial entre algumas lesões não pode ser esclarecido apenas pela TC e com outros métodos complementares.

    Por outro lado, em determinadas situações o diagnóstico poderia ser abreviado diante de um único exame de RM, sem a necessidade de TC prévia, como por exemplo em alguns tipos de lesões cérebro-espinhais e ósteo-musculares. O oposto também se aplica no sentido de a TC ser melhor indicada em determinadas circunstâncias, muitas vezes, conclusiva, não necessitando de um estudo em RM, mais dispendioso.

    Assim podemos considerar algumas indicações desses estudos para investigação das patologias mais freqüentes, seus sintomas e/ou sinais. Estas sugestões aqui referidas, didaticamente divididas por regiões ou órgãos, representam nossa orientação geral, sendo porém sempre importante considerar a a experiência individual de cada profissional no manuseio dessas modalidades diagnósticas.


    CÉREBRO (e Encéfalo):

    Acidente Vascular Cerebral (AVC ou AVE)

    Convulsão Cefaléia Aguda Cefaléia Crônica Vertigem e Tonturas Paralisia de Nervos Cranianos Hipófise Tumores Trauma Aneurismas, Anomalias do Desenvolvimento Venoso e Mal-formações Vasculares Anomalia Congênita Demência Doenças da Substância Branca Hidrocefalia


    COLUNA VERTEBRAL:

    Trauma

    Doenças Degenerativas Processos Infecciosos e Inflamatórios, Tumores, Anomalias Congênitas Escoliose (particularmente em crianças), Doenças Vasculares e do Plexo Braquial

    Obs: excetuando-se os casos traumáticos, a avaliação das colunas cervical e dorsal são melhor apreciadas pela RM.


    ÓRBITA:

    Anomalias Congênitas

    Processos Inflamatórios e Infecciosos Trauma Tumores

    ORELHA (e Mastóide):

    Anomalias Congênitas

    Processos Inflamatórios e Infecciosos Trauma Tumores

    PESCOÇO:

    Anomalias Congênitas Processos Inflamatórios e Infecciosos Tumores Anormalidades Vasculares

    TÓRAX:

    Patologias de Parênquima Pulmonar Patologias Mediastinais Patologias Pleurais Patologias de Parede Torácica Estudos Vasculares

    Coração:


    ABDOME:

    Fígado Vesícula e Vias Biliares

    Baço:


    Pâncreas:


    Adrenais:


    Rins e Vias Urinárias:


    Tubo Digestivo:


    Vasos:


    Órgão Ginecológicos e Pélvicos:


    SISTEMA ÓSTEO-MUSCULAR:

    Anomalias Congênitas, Tumores, Processos Inflamatórios e Infecciosos Lesões Traumáticas e Relacionadas à Esporte Alterações Degenerativas Anormalidades Vasculares

    * Procuramos aqui colocar algumas sugestões de indicações destes exames que são habitualmente realizados para melhor conduzir os diversos casos, com o intuito de demonstrar de forma simplificada algumas indicações referentes à TC e RM, não sendo referidos outros métodos complementares que também contribuem para orientação diagnóstica, como a radiologia convencional, a ultra-sonografia e os métodos invasivos.

    Dra. Luciana de Pádua S. Batista é médica radiologista do Hospital 9 de Julho (Serviço do Dr. Fernando Moreira Alves).

    **Artigo publicado originalmente no caderno "Application" do Jornal Interação Diagnóstica n° 01 (abril/maio de 2001).




    Início (home)

    Voltar ao topo